Opinião: Princípios e tradições do povo ruralista do meu Amazonas


Barracas de madeira, lona azul,  mingau de milho, bolo de mandioca e bandeirolas de muitas cores enfeitam o mastro em mais um festejo no interior do Amazonas. Na minha Coari temos mais de 100 comunidades rurais, localizadas nas calhas das águas barrentas do rio Solimões. São centenas de famílias que vivem da agricultura familiar e que, sem qualquer luxo, vivem de forma simples, nas suas casinhas lindas de telhado de zinco e paredes de madeira,  retiradas  do própria terra em que vivem.


Lá, não tem médico 24 horas. Nas emergências é com o barco dos rios que se procura, se há tempo, um hospital mais próximo. É orar para que ninguém adoeça, já que a única opção para se ter comodidade é aguardando os barcos itinerantes da saúde, que passa por épocas pré-agendadas.  

Educação é uma palavra forte e levada a sério pelas famílias ribeirinhas. Muitos alunos enfrentam banzeiros, chuva e sol forte em pequenas canoas de uma comunidade a outra, para estudar “in terra” focando em futuro melhor para os filhos na capital.


Hoje, 24 de julho, data em que se comemora o aniversário do meu patriarca, Izaque Lima, faço uma breve reflexão sobre a vida pacata de interior. Nascido e criado na Ilha do Ariá, foi secretário rural, ajudou muitas famílias a terem as vidas transformadas incentivando o setor primário. Com ele fiz algumas andanças na infância e adolescência, pelas comunidades sentindo na pele todos os prazeres e dificuldades que um ribeirinho passa morando nas calhas dos rios. Eu bem sei o que é ver uma criança brincando com fome correndo pelas comunidades do meu Solimões. 


A conclusão que chego em tudo que vivi e que, hoje, que permaneço mantendo contato com este povo tão aguerrido é que, eles são imensamente felizes com tão pouco e são imensamente fartos de paz de espírito, por viverem da floresta e na floresta com suas famílias, sem carros de luxo, festas e shoppings centers. Eles sabem dar valor na fartura e na escacez e dividem o pão com o próximo sem que haja qualquer gesto de egoísmo em suas mesas. 


É do nosso povo ribeirinho, que temos o melhor exemplo de ser humano do planeta. Vivemos do que eles produzem com imensa paixão. São puros de coração, empáticos, hospitaleiros e acima de tudo, tem o grande amor de Deus no coração. Que nunca lhes falte amor, paz, saúde e comida em suas mesas. 

Eu tenho imenso orgulho e paixão por todos vocês!

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