Crônica: O medo que nos derruba e a coragem que nos ressurge das cinzas


Por Islânia Lima

Desde que me entendo por gente, sempre tive medo do “novo”.Desde os brinquedos de infância como a chegada de uma boneca ou dos primeiros cadernos escolares e a tão temida primeira aula. O medo sempre me acompanhou nos momentos mais e menos importantes da minha vida.

Lembro que aos 12 anos, com muito medo, decidi me inscrever no concurso de redação sobre meio ambiente da escola em que estudava, na minha pequena Coari. Tímida, rabisquei em miúdas letras em papel o que imaginava sobre um mundo melhor, sem entender qualquer termo que explicasse normas de uma redação com introdução, desenvolvimento e conclusão. Apenas o fiz da minha maneira, com dedos tremendo de medo sobre o meu primeiro texto opinativo.

Ao término, entreguei a orientadora e sem olhar para trás, fui para casa, já imaginando a reprovação. Os dias passaram, até que fui chamada pela querida professora Marilia, que me informou: “Filha, tua redação foi selecionada. Preciso que você a coloque em uma cartolina, para exposição e depois haverá uma votação onde será escolhida a melhor redação sobre meio ambiente entre todas as escolas”. Aquilo encheu meu ego de orgulho. Puxa! Imagina concorrer, imagina ganhar… Não pelo prêmio em si, que na época não lembro exatamente qual seria, mas pelo fato de ter enfrentado meu medo e ido além, sem me importar com que iriam falar sobre minha grafia ou erros de pontuação e português… Eu só queria tentar…

Passados algumas semanas, chega o grande dia da votação e premiação. Naquela noite mamãe não deixou eu ir a praça, para assistir a votação, porém no outro dia soube que fiquei em terceiro lugar. Quis saber o motivo de não ter ganhado em primeiro, então fui informada que o texto estava bom demais para uma menina tão nova escrever e os jurados duvidaram. Bem isso já não importava. De lá recebi uma medalha de bronze e lembro que levei para o meu pai guardar, mesmo assim, toda orgulhosa do prêmio recebido.

Passados os anos, foram milhares de momentos que vivi em que tive que enfrentar meus medos. A primeira vez que andei de bicicleta sem rodinhas. A primeira vez que viajei de barco sozinha fugida porque não me acostumava com Manaus e retornei para Coari. A primeira vez de ônibus na capital, onde fui comprar um kilo de feijão no Centro só passear. O primeiro beijo às pressas com medo de ser vista pela mamãe na rua do Tabocal. A primeira vez como mãe. A primeira vez no banco de faculdade sem saber ao certo se terminaria o curso...

Os primeiros trabalhos como repórter super sônica, onde pautas de incêndios, manifestações, confusões sempre me chamavam bastante atenção (quase sem medo), os primeiros trabalhos em assessoria e até viajar de avião (o medo que me acompanha até hoje, pois Deus me deu braços para nadar e não asas para voar)... Todos esses medos foram superados, pela única e exclusiva palavra  coragem que tanto habita em mim e que todos os dias, toca em meu coração que, apesar das quedas e dos medos, o que vale nesta vida é a tentativa de ser feliz enfrentando seus medos sempre confiante de que pensando positivo podemos ir avante, para alto e além nesta grande estrada que é a vida incessante, sempre em busca do ressurgir das cinzas, como Águias reluzentes que somos enfrentando nossos medos.

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