As lições do Covid-19



 Se existe algo que sempre prezei na vida é o total desapego a bens materiais, por sempre me sentir satisfeita com o pouco, assim quando acredito que tenho muito também.  Quando morava em Coari, na década de 90, lembro que era adolescente e dormia em um quarto apenas com uma rede. O vento da janela entre aberta, refrescava meus pulmões e jamais reclamei da vida por isso. Já tive tão pouco, que meu maior sonho de vida, acreditem, era possuir uma escrivania, para fazer desenhos e brincar de ser escritora, além de um saquinho cheio de bombons coloridos e de diversos sabores. 

Passados os anos, conquistei a tal mesa, coloquei meus livros, cadernos, canetas,  blocos e algumas lembranças, mas ali já não me dei por feliz e logo doei meu pequeno espaço, ao meu filho, que hoje usa para estudar o ensino médio e joga vídeo game. O costume de desapego a bens materiais seguem entre minhas veias. O saquinho bombons? Bem este suei a camisa e trabalhei para comprar ainda na infância, mas esta é uma outra história a contar. 

Passado os anos, com a pandemia que vivemos em 2020 do Corona Vírus; meu desapego só aumentou e três lições importantes aprendi: valorizar o que é pequeno o dobro, jamais desperdiçar comida e doar bens materiais, tornando cada vez mais forte a minha empatia e reciprocidade.  

Não vejo tal ato como um apego ao pobreza, mas sim um grande passo de riqueza e bravura. Sabem porquê? Porque diante de tanto apego material, as pessoas se perdem  entre laços de egoísmo, individualismo e esquecem que o essencial, para ser feliz, não estão nos bens, mas sim pela forma que se torna como ser humano, como trata as pessoas ao seu redor e, principalmente, se tuas atitudes podem chegar perto do que Jesus foi de exemplo na terra.

 Não almejamos santidade e nem devemos, mas podemos sim olhar no profundo de nossas almas e pensar no que realmente vale a pena se viver e assim dormir em nossos travesseiros por ter feito o bem. Empatia, reciprocidade e gentileza são atos que podemos praticar de graça e tenha certeza, elas valem mais que qualquer bem material que podemos ter. 

Islânia Lima*

Autora do texto é amazonense, jornalista profissional, editora do portal Repórter Cabocla e assessora de imprensa. 

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