Em tempos de pandemia, povos indígenas relatam dificuldade de moradia e empregabilidade em Manaus

 


A luta dos povos indígenas na amazônia é um tema de constante luta por entidades, organizações civis e pessoas que buscam preservar estes povos, que possuem uma cultura tão importante para o desenvolvimento da floresta. Mas apesar de todo esforço, ainda existem entraves que infelizmente fazem parte do cotidiano dessas comunidades, como a falta de moradia digna, empregabilidade e oportunidade em estudos.

 Atualmente no Amazonas, segundo a coordenação de Povos Indigenas de Manaus e Entorno (Copime), vivem cerca de 30 mil indígenas. Em todo estado amazonense vivem cerca de 180 povos indígenas, somando uma população de aproximadamente 208 mil indivíduos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. 

Ana Maia da etnia indígena dos Muras, mora na capital e como tradição de família, aprendeu a trabalhar com artesanato tecendo biojóias com sementes amazônicas como a Açaí, Morototó e Paxiubinha. Ela conta que hoje as maiores dificuldades que tem é quanto a compra da obra prima, pois não possui equipamentos próprios para polir as peças, que vem de forma bruta da natureza.

Ela explica que além deste recurso, ainda existe a dificuldade com a locomoção. “Não temos qualquer apoio com transporte ou equipamentos, para que possamos trabalhar de forma mais digna. Um sonho seria se conseguirmos equipamentos para polir nosso material e já teríamos a economia para um transporte”, declarou. 

Morando na aldeia Uiraquiru com 23 famílias, cerca de 115 pessoas o indígena cacique André Silva, 38 anos, conta que o maior desafio das famílias é quando elas vêm de terras demarcadas em busca de uma moradia digna na capital. Com muito esforço, muitas famílias estão conseguindo alguns espaços, mas esbarram na dificuldade de sustentabilidade para se manter na cidade. 

Como a cultura deles precisa ser preservada, o cacique explica que esbarra na falta de envolvimento político, para que olhem com atenção e mais envolvendo sobre as causas indígenas. “Sentimos falta de cursos profissionalizantes, mais apoio com moradia, aqui precisamos de uma educação diferenciada, falta muita oportunidade para o nosso povo”, lamentou. 

Em busca de soluções que possam melhorar a vida dos indígenas, o militante indígena Cheine Araújo, 41 anos, explica que a solução para o problema é realizar o agrupamento e fortalecimento  das organizações sociais e civis. Ele enfatiza que é preciso desenvolver projetos, para que seja apresentado ao poder executivo. 

Cheine acredita que emendas parlamentares ajudariam na construção de casas de apoio, geração de emprego e renda. “Também podemos trabalhar o desenvolvimento sustentável, um centro cultural para trazer incentivo, trabalhar a agricultura familiar. Na questão da saúde, buscar também por meio de organizações sociais e civis, um gestor participativo com organizações civis e indígenas junto ao poder público, atendendo assim  o segmento indígena”, destacou. 


QUEM É CHEINE ARAÚJO 

Candidato atual a vereador de Manaus, pelo partido Avante, natural de Manaus Amazonas, Cheine Araújo é pai de família, indígena, militante nas causas dos segmentos dos povos indígenas, Cristão, é paratleta com títulos regionais, nacionais e internacionais, Criador e fundador da Associação Paradesportiva do Norte (APAN), vice-presidente da Federação Paralímpica do Amazonas (FEPAM), membro da comissão em defesa dos direitos da pessoa com deficiência da OAB do Amazonas, qualificado em gestão pública, qualificado em licitação e contratos, atuou como coordenador-geral da fundação nacional do índio do alto Rio Negro, pedagogo e já atuou como professor da secretaria municipal de educação em Manaus, aprovado em 20 concursos Públicos Municipal, Estadual e Federal, servidor Público do ministério público do Estado do Amazonas, advogado com especialização em direito público penal e processo civil.

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